quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ouvido Absoluto

Como seria se cada som que você ouvisse, identificasse uma nota musical?
Um despertador pode soar em Dó, um gato miar em Si Bemol, etc. Esta rara habilidade faz parte do universo de indivíduos com o chamado "ouvido absoluto".

A proposta deste documentário é abordar as diferentes opiniões a respeito deste assunto. O canal Escuta Só da Lígia Salton procura mostrar os diversos fenômenos relacionados à música e à audição humana, e o tema Ouvido Absoluto é o primeiro episódio da série.

* Opção de legendas em inglês. (English subs)


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Microfone - Parte 2: Captação

(Se não leu a Parte 1, clique aqui.)

A forma de captação do microfone baseia-se no diagrama polar. Ele define o ângulo de captação do microfone em função de sua frequência. O diagrama polar apresenta o eixo (ou seja, zero grau) e demais ângulos, como 90, 180 e 270 graus. De acordo com o diagrama sabe-se o comportamento do microfone em função do ângulo que o sinal emitido está em relação ao eixo.

A diretividade é dividida da seguinte forma:

Cardióide (Unidirecionais): Sua curva de resposta tem a forma de um coração, por este motivo levam esse nome. Este tipo de microfone responde melhor aos sons vindo da frente. Os sons laterais são captados com pouca intensidade e seu uso é indicado para lugares de muito barulho ou para evitar a reverberação em ambientes fechados.



Supercardióide: Apresenta característica parecida com o anterior, mas com maior sensibilidade aos sons vindos da frente e um pouco mais de captação dos sons vindos de trás do que o cardióide.


Hipercardióide: Microfones ultra-direcionais, altamente sensíveis aos sons frontais, com uma sensibilidade menor que os anteriores aos sons vindos da parte de trás. Deve ser apontado com precisão para não captar sons indesejáveis. Não devem ser utilizados em interiores ou exteriores de paredes refletoras. Em ambientes reverberantes originam perdas de definições de graves e colorações indesejáveis na voz.


Bidirecional: Também conhecidos como "Figura de 8", são os que captam o som de duas direções opostas, na frente (0º do eixo) e atrás (180º do eixo). São muito usados em estúdio de áudio. Em televisão sua utilização é limitada. 


Omnidirecional: Captam o som de todas as direções. Muito sensíveis, necessitam estar muito próximo da fonte sonora para não captar sons indesejáveis. São indicados para captação de festas, orquestras (quando se usa um só microfone), etc.



DIAGRAMA POLAR



TABELA DE ÂNGULO DE CANCELAMENTO




Posicionamento do Microfone

A falta de experiência de alguns artistas (geralmente cantores, locutores, etc) durante o posicionamento do microfone atrapalha muito na hora da equalização e regulagem do volume. A distância ideal é cerca de 2 a 3cm entre a boca e o microfone.

* Posicionamento ideal para locutores e cantores

Sem a noção do posicionamento ideal para o tipo de microfone usado, às vezes canta-se há mais ou menos 10cm do objeto, ou às vezes perto demais da boca. Movimentam hora perto hora longe, sem nenhuma dinâmica. Problemas desse tipo causam a perda de sinal, impossibilitando o alcance da melhor qualidade final, e também a velha e ruim microfonia.

Microfonia ou Realimentação Acústica (Acoustic Feedback): Efeito em forma de um alto silvo de alta frequência que ocorre quando as ondas sonoras emitidas por um sonofletor são captadas e re-amplificadas pelo microfone que as originou. É bem comum a microfonia causar danos a alto-falantes e amplificadores, podendo também trazer problemas de audição quando a pessoa é muito exposta. Na maioria dos casos, a microfonia é em torno de 3.100 e 5.000hz. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Microfone - Parte 1: Criação, componentes e tipos

Do grego, "Mikros' (pequeno) + "Phone" (som). Foi inventado por David Hughes em 1878. 

Através de fenômenos diversos (eletrodinâmicos, piezelétricos, eletrostáticos, etc), o microfone transforma as vibrações mecânicas de uma membrana que recebe ondas acústicas em variações de corrente. Esta operação de transformar as ondas acústicas em sinais elétricos é chamada de transdução (qualquer aparelho capaz de um tipo de energia em outro é tido como transdutor). A lâmpada é um transdutor; transforma energia elétrica em luminosidade, o alto-falante transforma energia elétrica em ondas acústicas. O microfone faz o caminho inverso do alto-falante: transforma o som recebido (ondas acústicas) em sinal elétrico, cujas variações representam tão fielmente quanto possível as do som recebido.


* Onda acústica após convertida para tensões elétricas.

No que se refere a transdução, os microfones podem ser classificados em dois tipos basicamente: dinâmico e capacitivo.

O microfone dinâmico consiste de um diafragma fino acoplado a uma bobina móvel dentro de um campo magnético. Quando o som atinge o diafragma, o mesmo se move para dentro e para fora, e este movimento da bobina dentro do campo magnético produz uma variação de corrente na bobina (e consequentemente uma variação de tensão em seus terminais) análoga à variação da pressão atuando no diafragma.


* Sistema do microfone dinâmico.

Este microfone é muito utilizado em apresentações ao vivo pelo seu fácil uso e pela não necessidade de alimentação elétrica. Por outro lado, possui baixa sensibilidade. É um microfone "duro".

O microfone capacitivo (também conhecido como "condenser") usa o princípio de um capacitor variável, consistindo de um diafragma montado bem próximo a uma placa fixa. 

Entre o diafragma e a placa é mantida uma carga elétrica polarizada fixa. Conforme ele se move com a pressão sonora, a voltagem entre a placa e o diafragma varia analogamente. 

A carga polarizada usada na maioria dos condensers hoje em dia é implementada com um "eletreto" pré-polarizado, uma camada carregada permanentemente na placa ou na parte posterior do próximo diafragma. A polarização por meios externos é usada normalmente somente nos microfones de estúdio de mais alta qualidade. Este tipo de microfone já são mais "macios" devido à leveza e flexibilidade da membrana usada. Este tipo de microfone é geralmente alimentado por pilha/bateria de 1,5 volts ou por Phantom Power (onde a alimentação ocorre através do próprio cabo).


* Diagrama simplificado do microfone a condensador.


O Capacitor

Um capacitor é constituído simplesmente por três peças: duas peças condutoras idênticas (armaduras) e uma peça isolante (dielétrico) colocada entre as outras duas. Um capacitor pode armazenar energia elétrica, mas não é usado como alimentador. 


Microfone de Fita

Devido à "dureza" do microfone dinâmico, foi criado um microfone com menor distorção e mais macio. Tem esse nome pois o conjunto de diafragma e bobina é substituído de plástico ou metal. Ela fica suspensa (pelas pontas) entre os polos de um potente campo magnético, ficando seu corpo livre para se movimentar. Marcou época, foi muito usado em programas de rádio na década de 40 e 50.


* Microfone de Fita - Modelo RCA 44BX

Quando o sinal incide sobre a fita, ela vibra proporcionalmente à intensidade do som, atravessando as linhas do campo magnético onde são induzidas as variações resultantes. Isto faz uma pequena tensão surgir em seus terminais, e por este motivo este tipo de mic necessita de um transformador elevador de sinal e casador de impedâncias, já que a impedância da fita é muito baixa.


Microfone a Carvão

Sua cápsula contém grânulos de carvão, fechada por um diafragma que vibra por efeito de ondas sonoras e exerce maior ou menor pressão sobre as partículas de carvão, o que faz variar a intensidade da corrente que passa por elas.


Um ponto fraco do telefone de Bell era o dispositivo emissor que originava um sinal elétrico muito fraco. O físico inglês David Hughes em 1878 substituiu este dispositivo por outro, a que chamou microfone. O microfone era composto por três peças de carvão: uma delas tinha forma de uma barra pontiaguda nas extremidades, pelas quais assentava nas outras duas peças, também em forma de barra.


Funcionamento: Quando falamos diante do bocal microfônico, as esférulas de carvão são sacudidas modificando os numerosos contatos existentes entre elas, o que causa variação da resistência à passagem da corrente. Este tipo de microfone era muito usado nos telefones antigos que tinha uma péssima qualidade, mas durava por muitos anos.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Home Studio x Isolamento Sonoro

Todo músico idealiza ter seu próprio home studio (estúdio em casa), seja para ensaios ou gravações. Uma das maiores preocupações e que não temos total conhecimento é acerca do isolamento sonoro.




A transmissão do som é feita por ondas sonoras que se propagam pelo ar. Imaginamos, a grosso modo, que barrando a passagem das ondas conseguimos isolar o som. Está correto, mas não é tão fácil.

Qualquer objeto que vibra pode mover o ar que estiver em torno de si. Uma parede que recebe uma vibração de um lado, vibra no outro. É assim que o som "atravessa".



Sendo assim, quanto maior a resistência à vibração, menos intenso será o volume que atravessará. Quanto mais densa e/ou pesada a parede, a mesma proporcionará maior a resistência a transmissão.

Para este isolamento indica-se o uso de materiais que absorvam a energia das ondas sonoras, como lã de vidro ou lã de rocha. Conhecemos como parede "dry wall" quando se recebe este tratamento acústico. 




* Dica por experiência própria: Use luvas e evite contato, a lã de vidro coça pra caramba!

Ao primeiro impacto com a parede as ondas sonoras perdem um pouco a força. Quando alcançam a camada da lã de vidro ou rocha, que é um material poroso e denso, perde outra boa parte de sua força, e quando "atravessam" o outro lado da parede, o volume e pressão sonora estão bem reduzidos.

Preste atenção nas portas, janelas e ar condicionado. São locais que podem conter espaços ocos ou frestas. Atente-se a vedá-los.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Respiração Diafragmática


  • O controle da respiração é um dos principais fundamentos do canto.


Os exercícios devem ser treinados independente do canto, diariamente, durante todo o período dos estudos vocais, para desenvolver e agilizar a musculatura respiratória, pelo menos durante vinte minutos várias vezes ao dia. Depois de alguns meses, a pessoa terá adquirido uma respiração mais ampla, realizada sem esforço. O treinamento será contínuo durante toda a carreira do cantor, mesmo que seja por apenas alguns minutos por dia, associado ou não à ginástica corporal.

A penetração do ar será sempre nasal, de preferência. Exceto quando os silêncios musicais forem muito breves; neste caso, é preciso respirar ao mesmo tempo pelo nariz e pela boca. 

Para que a respiração possa desempenhar seu papel e ser eficaz, as fossas nasais devem permitir que a respiração seja equilibrada, que o ar possa passar sem ruído pelas narinas e que as cavidades nasais não estejam obstruídas.


“Respiração diafragmática” é a respiração natural do nosso corpo, que realizamos quando vamos tossir, espirrar, rir, bocejar, dormir, etc. 
Quando o ar entra, ele ocupa um espaço. Para dar lugar a ele, alguma coisa lá dentro vai ter que sair do lugar. Muitas pessoas incham o peito pra respirar, mas o correto, que é a maneira como os bebês e os animais respiram, é a barriga "crescer" pra dar lugar ao ar e depois contrair para expulsá-lo. Respirando dessa maneira, dizemos que você está “respirando com o diafragma”. 

Comece inspirando e expirando o ar profunda e lentamente, prestando atenção se você está usando o peito ou a barriga. Depois, vá aumentando o ritmo até que a respiração correta saia naturalmente. 

Durante o canto, a respiração está submetida a diferentes imperativos: duração das frases musicais, silêncios breves, intensidade, altura tonal, etc., o que implica em diferentes pressões e modificações da capacidade pulmonar. O cantor deve, através de exercícios apropriados, treinar diferentes ritmos inspiratórios e expiratórios respondendo às exigências da música.


Segue o exercício:

1. Inspiração lenta – Expiração lenta. 
Inspire o mais lentamente possível, numa quantidade que você tenha controle e não fique "pipocando" ou falhando a captação. O exercício deve ser homogêneo, sem alteração de impostação, tonalidade ou intensidade. Com o pulmão cheio em sua capacidade máxima, prenda a respiração por cinco (05) segundos, e em seguida expire de forma igualmente lenta. Repita cinco vezes.

2.  Inspiração lenta – Expiração rápida.
Inspire lentamente como no exercício anterior. Prenda o ar por 05 segundos, e expire de forma rápida, expulsando o ar e esvaziando totalmente o pulmão. Repita cinco vezes.

3. Inspiração rápida – expiração lenta.
Inspire o mais rápido possível, prendar o ar por 05 segundos e expire lentamente. Repita cinco vezes.

4. Inspiração rápida – expiração rápida.
Neste exercício temos uma ligeira diferença: Inspire o mais rápido possível, prenda por 05 segundos, expire rapidamente esvaziando todo o pulmão e, em seguida, já inspire rapido novamente. Repita dez vezes este exercício, sem pausas para descanso. Pararemos somente durante os 05 segundos de retenção de ar.


Este meio permite dar-se conta de que há momentos nos quais é preciso intensificar os movimentos ativos ou moderá-los (economizá-los). Para prolongar a duração da expiração e desenvolver a musculatura costo-abdominal, repita o mesmo exercício, e depois de uma inspiração lenta ou rápida vamos prolongar a expiração emitindo o som da consoante ‘sssss’. Durante a emissão desta consoante, não se deve fazer esforço laríngeo. Ao longo do treinamento vá aumentando a duração da execução.

Observação: Note que mudanças na sua rotina – como dormir mais tarde do que o costume, uma gripe forte, uma situação estressante, etc. – podem afetar significativamente o seu desempenho. Quando isto ocorrer, não desanime: use esta constatação a seu favor, ampliando a sua capacidade de autoconhecimento. Saber como funciona o seu corpo é fundamental para quem quer cantar.


EXERCÍCIOS DIÁRIOS

Conscientização da Respiração Baixa
Exercício 1: 
Inspirar expandindo o tórax. Tente sentir o alargamento das costelas flutuantes, na altura da cintura. Não levante os ombros nem estufe o peito. 
Cuide para que a musculatura do pescoço não esteja tensionada. 
Sustente por alguns segundos (pausa) e expirar esvaziando totalmente. 

Exercício 2
Repetir o exercício 1, desta vez fazendo o som "SSSSS" contínuo durante a expiração. Procure manter o som homogêneo, estável, sem variação de intensidade, timbre, tonalidade e volume, e o faça durante um tempo confortável, sem exageros. 

Exercício 3
Repetir o exercício 1, agora fazendo sons bem curtos em "S – S – S – S" (stacatto). 
A cada som, uma expansão do tórax (pra alargar mais a cintura). 

Exercício 4
Alternado: alternar os exercícios 2 e 3: S - S - S - S - SSSSSSSSS (stacatto/contínuo). 

Exercício 5
Repetir os exercícios anteriores com os sons:
Ts, Ts, Ts / Tx, Tx, Tx / Ks, Ks, Ks / Fs, Fs, Fs
Fx, Fx, Fx / Bs, Bs, Bs / Ds, Ds, Ds / Dz, Dz, Dz

Marque o tempo. A partir deste tempo básico, comece a tentar aumentar sua capacidade, mas sem perder a qualidade. 

Voz Colocada
Exercício 6
Soprar com a bochecha cheia de ar (como enchendo uma bexiga). Soltar em "F".

Jatinho Curto
Exercício 7 
Inspirar e soltar o ar em jatinhos curtos, com pequenos golpes na região do umbigo.

Exercício 8
Inspire lentamente enquanto caminha cinco passos. (Observe sempre o alargamento natural do tórax.)
Quando fôr dar o sexto passo, comece a fazer um som com a boca fechada (bocachiusa): "hummmmm", durante os próximos cinco passos. 

Atenção: Use a região média de sua voz - ou seja, o som não deve ser nem muito grave nem muito agudo. No sexto passo, "jogue fora" o ar que restou e recomece o processo - volte a inspirar lentamente e repita o ciclo. Mantenha os cinco passos para inspirar, mas tente variar o tempo de expiração - por exemplo, você pode ir acrescentando dois passos de cada vez. É uma boa maneira de monitorar o seu progresso. 

Aumentando a Capacidade do Ar
Exercício 9
Respirar profunda e lentamente enchendo a barriga de ar. Subir o braço na inspiração e baixá-lo na expiração. Repita 10 vezes.

Exercício 10
O mesmo exercício, sendo que ao subir os braços, reter ao ar por 5 segundos e quando abaixar, ficar sem ar por 5 segundos. Repita 10 vezes. 

Sopro Constante
Exercício 11
Inspirar pelo nariz em 5 segundos, reter 5 segundos e soltar em "F" em 5 segundos. Repita 10 vezes sem interrupções. 


* A base da impostação é uma respiração baixa e relaxada. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Conceito de Afinação

Pessoas interessadas em aulas de canto geralmente perguntam se é possível que alguém que seja desafinado aprenda a cantar. Há pessoas que já nascem com certa "intimidade musical" (vamos chamar assim), mas, se essas pessoas passarem a vida toda sem nenhum estímulo, elas nunca saberão que possuem esse talento.

A principal arma para aprender a cantar afinado é aprender a ouvir. A maior parte daquelas pessoas que se dizem desafinadas, tem dificuldade em ouvir a si mesmas e ouvir os outros

Mas, afinal, o que é cantar afinado?

Podemos dizer que um cantor é afinado quando ele reproduz as notas propostas da maneira certa
Nossas pregas vocais produzem a voz, que por sua vez produz as ondas sonoras. O som (que é formado por vibrações) possui certa freqüência (quantidade de vibrações por segundo). Existe um padrão de afinação ocidental pelo qual se afina o “A” (lá) em 440 Hz (Hz =vibrações por segundo).

Podemos definir então que cantar afinado é reproduzir a mesma freqüência que foi proposta numa melodia, seja ela cantada ou tocada . Daí a grande importância de aprender a ouvir. 

Observação dos Movimentos da Laringe para Throat Singing

Vibrações de dois pares de pregas na laringe humana

Tradução livre do original: "Observation of Laryngeal Movements for Throat Singing" http://acoustics.org/pressroom/httpdocs/144th/Sakakibara.htm

- Vozes cantadas do mundo 

No mundo existem vários estilos de canto. Estas variações na vozes estão principalmente associadas com variações de timbre, que podem ter surgido devido a diversidades culturais tais como o clima, a geografia, a língua, característica física racial, religião, estrutura musical e assim por diante. Neste ponto, podemos encontrar diferenças consideráveis entre a voz cantada tradicional ou clássica européia, como bel canto e lied alemão, e as vozes cantadas tradicionais asiáticas “prensadas” (pressed singing voices), como o canto conhecido e encontrado em torno das montanhas de Altai, o japonês Youkyoku e coreano Pansori. Exemplificando, estudos concluíram que os estilos tradicionais europeus foram desenvolvidos como resultado da execução do canto em ambiente acústico feito em pedra. Para este, é necessário um timbre constante. Por outro lado, a maioria dos estilos de canto asiáticos foram desenvolvidos como resultado de sua execução em ambiente acústico de material mais macio, como madeira e lama. Neste caso, necessita-se um timbre rico e variado. É possível inferir que estilos de canto e estruturas musicais (polifônicos na Europa e homofônicos na Ásia) evoluíram interagindo uns com os outros. Aqui, vamos estudar o Throat Singing (Canto de Garganta), que é um dos estilos mais sofisticados deste tipo de pressed singing voices, e como a sua voz laríngea é gerada.


- Throat Singing

Throat Singing (canto gutural, ou canto de garganta) é o estilo tradicional de cantar do povo que vive em torno das montanhas de Altai. Khoomei em Tyva e Khöömij na Mongólia são estilos representativos do throat singing. Este estilo é às vezes chamado de canto bifônico ou harmônico (overtone) porque dois ou mais tons distintos são produzidos simultaneamente. Um deles é um tom mais baixo como fundamento, e o segundo é um whistle (agudo) harmônico que ressoa bem acima do tom baixo. Às vezes o canto gutural nomeia outros estilos mais amplos, não apenas restringindo aos do redor das montanhas de Altai: eg Inuit, Xhosa, e assim por diante. Mas aqui nós usamos o termo "canto gutural" para os estilos comuns em torno das montanhas de Altai: Khoomei, Khöömij, Kai em Altai, e assim por diante.
A produção do harmônico altamente agudo de canto gutural é devido, principalmente, à ressonância da tubulação da cavidade da laringe até o ponto de articulação no trato vocal, que aparecem como o segundo formante em seu espectro sonoro. Por outro lado, a voz da laringe de canto da garganta tem um timbre prensado especial e suporta a geração do harmônico.

As vozes laríngeas de throat singing podem ser classificadas em dois tipos: squeezed voice (voz espremida) e kargyraa voice, com base na impressão do ouvinte, características acústicas e observação pessoal do cantor sobre a produção da voz. A squeezed voice é a voz laríngea básica no throat singing, semelhante a um zumbido. A voz equivalente é utilizada na Naniwabsuhi japonesa. Já a kargyraa voice é uma voz que varia de registro modal com um som base muito baixo. É fundamental no canto Kai e perceptivamente idêntico ao canto tibetano.


- Pregas Ventriculares (ou pregas vocais falsas): Outro par de pregas na laringe humana além das pregas vocais “normais” 

As pregas ventriculares ou falsas cordas vocais (vtfs) são um par de pregas macias e flácidas que existem acima das pregas vocais (Fig. 1). Enquanto as pregas vocais (PVs) têm um mecanismo que altera a rigidez, espessura e longitude pelos músculos (principalmente pela ação dos músculos tireoaritenóideos), os vtfs são incapazes de tencionar, pois contêm muito poucas fibras musculares. Ao que parece os vtfs são capazes de mover-se com as cartilagens aritenóides. Eles também são abduzidos e aduzidos pela ação de certos músculos da laringe. Em sua função biológica, os vtfs, bem como os PVs, agem como armadilhas de ar dos pulmões e evitam que substâncias estranhas entrem no trato respiratório inferior. Na fonação normal os vtfs não vibram, mas já foi observado que podem vibrar em alguns alguns pacientes com disfonia.


- Pregas Vocais e Vibração Ventricular das Pregas

Observamos os movimentos da laringe no throat singing direta e indiretamente pela gravação simultânea de imagens digitais de alta velocidade, EGG (eletroglotografia) e ondas de som.


As imagens digitais de alta velocidade foram capturados em 4500 frames/s através de um endoscópio flexível inserido na cavidade nasal de um cantor.

Foram obtidos os seguintes resultados desta observação: as características comuns do squeezed voice e do kargyraa são uma constrição geral das supra-estruturas da glote e vibração do vtfs. A diferença reside na estreiteza da constrição e o modo de vibração das VTFs. Na squeezed voice, os vtfs vibram na mesma freqüência que as pregas vocais e ambos vibram em fase oposta.


No estilo kargyraa, o vtfs podem ser forçados a fechar uma vez para cada dois períodos de encerramento das PVs, a fim de contribuir para a geração de tom subharmônico da kargyraa.



- O que é uma bela voz cantada? 

Cantores de throat singing são capazes de manter as vozes saudáveis, limpas, claras e bonitas através do uso das pressed-type voices (vozes prensadas), mesmo estas sendo consideradas como uma fonação não-preferível na pedagogia musical tradicional europeia. Eles são capazes de usar as vtfs bem como a prega vocal e produzir suas vozes preferidas, sem ferir seus órgãos da fonação. Obtendo este controle, qualquer um pode se tornar hábil em produzir essas vozes laríngeas, e a fonação do canto gutural acaba sendo natural e não misterioso.



Meu agradecimento e fonte de estudo deste artigo: Mestre Ariel Coelho http://www.arielcoelho.com.br/
Ariel Coelho é membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) e da The Voice Foundation (EUA); é o fundador e principal expoente da Antropofisiologia Vocal; coordena o Curso Livre de Técnica Vocal Aplicada ao Rock e o Instituto ROCK VOICE (IRV); é o lead vocal das bandas CODA Classic Rock e Brazilian Pink Floyd.


Agradecimentos do artigo original:
Traduzido do inglês: "Gostaríamos de agradecer Kiyoshi Honda, Koichi Makigami, Caroline Menezes, Johan Sundberg, e Masahiko Todoriki para sua ajuda nos debates."

Observation of Laryngeal Movements for Throat Singing 
Vibrations of two pairs of folds in the human larynx
Ken-Ichi Sakakibara*1, Tomoko Konishi, Emi Zuiki Murano*2, Hiroshi Imagawa*2, Masanobu Kumada*3, Kazumasa Kondo*4, and Seiji Niimi*5 

*1 NTT Communication Science Laboratories, 3-1, Morinosato Wakamiya, Atsugi-shi, 243-0198, Japan 
http://www.brl.ntt.co.jp/people/kis/ ,kis@brl.ntt.co.jp or k_i_s@hotmail.com 
*2 The University of Tokyo, Japan 
*3 National Rehabilitation Center for the Disabled, Japan 
*4 Asian University, Japan
*5 International University of Health and Welfare, Japan
Popular version of paper 2pMUa1
Presented Tuesday Afternoon, December 3, 2002
144th ASA Meeting, Cancun, Mexico